Dourados, Quinta-feira, 9 de setembro de 2010
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Editorial
Prefeitura saneada
8.Set.2010 | Hoje, dia 8 de setembro de 2010, o município de Dourados passa, efetivamente, a viver uma nova era, com o saneamento das secretarias municipais e com o funcionamento das instituições que deveriam colocar o cidadão em primeiro lugar, mas que, infelizmente, estavam a serviço de um grupo que se locupletava com o dinheiro público. Os primeiros nomes anunciados pelo juiz interventor Eduardo Machado Rocha para ocupar as secretarias revelam a preocupação do magistrado em colocar no cargo apenas pessoas que estão capacitadas para exercer aquela função, ou seja, o loteamento político dos cargos chegou ao fim. A dúvida é: por quanto tempo? Bom seria se os administradores públicos, em todas as esferas do poder, pudessem nomear para cargos públicos apenas pessoas com comprovada competência para a função, acabando de vez com a prática onde pastas ou autarquias importantes vão parar nas mãos de caciques partidários ou de políticos especializados em mamar nas tetas do poder. No dia em que houver lei impedindo que leigo comande cargos técnicos, a corrupção será menor em todas as esferas do poder.
Uma prova que o juiz Eduardo Machado Rocha está levando em consideração apenas a competência para escolher os novos secretários está nos nomes anunciados até o momento. Por exemplo, a Secretaria Municipal de Educação, que sofreu toda sorte de abuso durante os 20 meses do governo Ari Artuzi, a ponto do orçamento de todo 2010 ter sido consumido em pouco mais de cinco meses, será ocupada pelo professor Idenor Machado, um técnico que conhece como poucos em Dourados a estrutura da pasta e as necessidades da educação municipal. Na chefia de Gabinete, o juiz colocou o advogado e delegado aposentado Carlos Alberto Farnesi, que poderá ajudar o magistrado na missão de investigar todos os contratos fechados pela administração pública, inclusive do prefeito anterior. O mesmo pode-se dizer do engenheiro Paulo Figueiredo, escolhido para ocupar a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, um cidadão que sempre esteve empenhado na busca por melhorias nos serviços públicos que são prestados à população douradense.
O mesmo rigor, o juiz interventor empregou ao nomear para a Secretaria Municipal de Administração o contabilista Francisco Eduardo Custódio, uma pessoa ilibada e que conhece bem o terreno por onde vai caminhar enquanto Eduardo Machado Rocha estiver no comando da Prefeitura de Dourados. Por fim, aparece o nome de João Azambuja, escolhido para comandar, novamente, a Secretaria Municipal de Receita e Finanças. João Azambuja estava entre o time convocado pelo próprio Ari Artuzi no começo do mandato, em 2009, mas pediu demissão tão logo percebeu que o público estava sendo confundido com o privado, ou seja, Azambuja enxergou primeiro o que os douradenses ficarão sabendo, em partes, durante a Operação Owari e tiveram conhecimento total com a Operação Uragano, desencadeadas pela Polícia Federal e que, juntas, levaram mais de 70 pessoas para trás das grades. Cabe destacar ainda a decisão do interventor em manter no cargo de secretário de Governo, o jornalista Eleandro Passaia, pivô da operação que afastou do poder aqueles que pensavam apenas em enriquecer às custas do erário.
Outra medida que merece destaque foi a decisão do juiz interventor Eduardo Machado Rocha de determinar o atendimento das 7h às 11h e das 13h às 17h na Prefeitura de Dourados. Com isso, o magistrado acaba com a farra onde os servidores, principalmente os nomeados, trabalhavam apenas metade do expediente e na outra metade podiam ficar livres para trabalhar na campanha eleitoral, pedindo voto em favor dos candidatos do prefeito Ari Artuzi. A partir de agora, a população de Dourados terá a nobre missão de apoiar as medidas que estão sendo tomadas pelo interventor, por mais amargas que elas possam parecer num primeiro momento, para que a prefeitura possa ser efetivamente saneada; para que os órgãos públicos municipais passem a atender a vontade do povo e não dos grupos que estão no poder; para que o imposto que o cidadão douradense paga possa ser investido em benefício da coletividade e não dos amigos do poder, como vinha ocorrendo nos últimos tempos.
 
 
   
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