Viver sossegado não é passar o tempo todo embalando na rede do antigo caipira; não é apodrecer na preguiça e deixar a vida passar; não é despreocupar-se e viver do dinheiro farto que o destino colocou em sua vida. A tranqüilidade, a paz interior pode habitar o coração e a mente em meio ao burburinho da vida atual lutando pelos outros e por si mesmo. A pessoa se nasce pobre, passa a meninice e a juventude lutando para sobreviver. Chega a vida adulta, amadurece, traça o rumo a seguir e persegue esse objetivo. Peleja para um bom lugar na sociedade, um bom emprego, batalha em concursos e sempre almejando ao melhor, mas isso não a impede de ser tranqüila. A paz espiritual independe da situação. Muitas vezes existem problemas graves a serem resolvidos e levam a pessoa a esmorecer. Pode até passar noites insones por causa disso, mas geralmente é coisa momentânea. Assim é que deve ser a vida se a pessoa tiver fé, isto é, certeza de que é filha de Deus, saber e sentir que por Ele é amparada e que nada indevido lhe acontecerá. Mas veja bem: INDEVIDO. Se quiser colheita farta, o lavrador cuida para que isso aconteça. Cuida da terra, usa boas sementes, protege o pequeno arbusto em brotação livrando-o de ervas daninhas, irriga quando necessário e, carinhosamente faz a colheita e, para suas sobras, faz um bom armazenamento. Ai está sossegado. Está, não! Ao fazer tudo com cuidado esteve todo tempo em paz. Se quiser saúde deve cuidar do funcionamento normal do corpo. Assim para todas as coisas. A pessoa fica sossegada quando sabe que seus cuidados foram de acordo com a ciência da Higiene. Alimentação sadia evitando abusos, exercícios compatíveis com suas possibilidades, ausência de drogas e de quaisquer exageros. Por outro lado, a pessoa pode viver protegido pela fortuna, bom emprego, boa situação na vida, admirada pela sociedade, mas vive torturada por aflições cuja origem desconhece, mas que tem raiz em relação a fatos atuais ou passados que lhe tisnam a consciência. Se houver um problema existencial, se causou mal a alguém em qualquer tempo, se não quitou suas obrigações com o passado, se guarda rancor, se não confiar nas pessoas mesmo as mais conhecidas, se tem medo do futuro quanto ao que amealhou do passado, enfim se é apegada às coisas e ciumenta, nunca está sossegada. É uma sofredora contumaz. Por isso, é bom a gente fazer sempre meditações sobre os próprios defeitos, nossas pequeninas misérias, nossos deslizes mentais e, em os reconhecendo, procurar sublimá-los para que se transformem em alguma forma de virtude. Com meditação e boa vontade pode-se, aos poucos, fazê-los desaparecer. Para isso a Bondade Divina nos dá infindáveis números de reencarnações.
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